quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Notícias (part 2)

Meu caro amigo, te escrevo essa carta para te dizer como estou.

Usarei de metáforas pois como você conhece o meu coração é capaz de entendê-las e até usá-las em benefício próprio.

Meu amigo, lembra quando eu era borboleta?

Todos os nossos amigos me chamavam assim porque nada me prendia e nada me preocupava e era ridiculamente feliz sozinha, você se recorda? Você estava lá, você conseguia me sentir naquela época como eu te sentia?

Nos últimos 2 anos eu me tornei abelha, uma fabricadora de amores, eu só os fabrico, não os utilizo, e meu ferrão me mantém viva e protegida, mas também me faz frágil o suficiente para eu ser morta caso alguém o arranque, ou pise em mim.

Você se recorda quando eu apareci no seu trabalho de cabelo bagunçado e delineador no olho?

Você se lembra da minha bagagem?
Era uma "mala de mão" quando eu comparo com a tua, eu lembro de ter certeza que eu poderia carregar a sua bagagem, até que ela ficou pesada demais e admiti que  ela era pesada e eu era fraca para tal peso.

Eu lembro como você sumiu e como eu fiquei desnorteada, porque depois que você foi embora a minha bagagem pesava ainda mais! Quem diria que sem querer você me ajudava a carregar minha bagagem, mesmo a sua sendo tão pesada!

Eu conheci um moço depois de você, ele curou todas as minhas feridas da bagagem pesada que você era, ele era leve, escondia a bagagem pra eu não ter que me preocupar e ajudava a carregar a minha.

Até que a minha bagagem começou a aparecer cada dia maior, e eu não entendia o que era tudo aquilo e o moço também não, chegou num ponto em que minha bagagem se tornou pesada demais para o moço carregar e ele desistiu.

Eu te escrevo pra dizer que bagagens grandes foram feitas para pessoas fortes carregarem, mas essas bagagens são especias para deixarmos qualquer um carregar, somos péssimos escolhendo ajudantes para carregá-las.

Eu agora sei o que você sente.

Não há vítima ou vilão nessa historia, há bagagens apenas.

Eu sempre te vi assim, eu tentei te odiar, mas o ódio não é meu amigo, você é meu amigo.

Não faça nada de ruim com a sua vida.
(eu queria que alguém tivesse me dito isso nos últimos tempos)

Luz natural é superestimada, você brilha em neon, é melhor que branco, você brilha em cores.
(Não faça nada de ruim com sua vida)

Meu caro amigo, eu não te amo mais, eu não sei como aconteceu, mas foi  como expelir veneno e ter que cuspir até a última gota quando você já estava em meu estômago
(Doeu mais que qualquer outra coisa, não há dor para comparar)

Eu não sei mais se amo o moço, eu ainda sinto todas as borboletas no estômago quando lembro dele mas elas gritam de lá dentro "ele não aguentou sua bagagem, esquece!"
(Ele não aguentou minha bagagem)

Meu caro amigo eu tenho descoberto vários caminhos novos e eu tenho deixado a minha bagagem mais leve eu espero poder te contar em breve.

Com muita saudades

A lagartinha Fernanda.
(Espero que eu volte a ser borboleta um dia)









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