Querido M.
Eu achei que você seria só um caso.
Eu não posso te dizer com toda a certeza que te conheço.
Mas eu me conheço e posso afirmar que você tem me feito mal.
Eu não deveria ter deixado você entrar na minha vida e espero que eu não me arrependa por isso pelo resto da minha vida.
No nosso primeiro encontro eu gostava do quanto você parecia transparente e entregue.
Você me recitou um trecho de uma canção e me olhou com admiração, eu tremia porque sabia que conhecer alguém é conhecer os seus defeitos e que eu não estaria disposta a lidar com os defeitos que viria com você.
No nosso segundo encontro algo estranho aconteceu, eu tive dúvidas sobre o seu caráter emocional e o quanto a sua entrega na primeira noite soava fajuta nesse segundo encontro.
Dessa vez eu tremia porque eu conhecia uma pouco mais de você e o conhecimento é perigoso, e eu adorei o perigo que você trouxe a minha vida.
No nosso terceiro encontro a magia do desconhecido não estava mais ali, você chegou e me tocou de uma forma que eu não gostei, você me olhou de uma forma que eu nunca tinha sido olhada, é como se você procurasse a magia que outrora nos fazia prisioneiros. Agora éramos só dois corpos, ocupando o mesmo espaço, dormindo emaranhados, com receio de que a magia não fosse resistir a vida real.
A vida real é a descoberta, é quando todos os nossos desejos e expectativas caem por terra, é quando vemos os ossos por debaixo da bonita pele, e isso não é mais interessante.
Você não gosta de quem eu sou e eu no momento também não. Eu me sinto presa, pesada, ansiosa e triste. A minha luz natural foi levada através dos seus jogos de Xadrez.
Jogos de Xadrez que você teima em jogar com as pessoas que gostam de você, talvez por medo, talvez por ser mais fácil estar sempre certo e ter sempre o controle das suas emoções (eu não te julgo por isso, só me soa covarde).
Você tem uma visão deficiente do amor, ele não só dói, ele não só machuca, eu sei disso porque eu não tive tempo para mostrar, mas eu sou repleta de amor. Você prefere o carnal porque é o mais profundo que você se permite mergulhar e é uma pena nadar em águas tão rasas quando o oceano é grande e brilhante.
Eu teria te amado se você deixasse, me pergunto se estou muito cansada para tentar.
Com amor,
Fernanda.
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