quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Carta a P. X.

Querido P,

Todas as minhas cartas tem referências musicais ou de algum texto bacana que eu li, a sua não tem, eu não sei como escrever para você, de antemão eu peço desculpas.

Eu neste momento estou tentando não usar nenhuma metáfora brega, eu quero conseguir dizer o que eu sinto sem frases que já existem, não é porque quero ser original nem nada do tipo, eu só quero ir fundo e te fazer entender o que eu estou sentindo.

A primeira vez que eu vi você, era como se o meu coração tivesse aprendido a bater naquele instante, eu o sentia pulsar dentro de mim.

Você estava em uma cena de palhaço, subia em uma escada no palco, uma escada alta, e enquanto eu via você subindo me lembrava das palavras da minha irmã dias antes voltando do ensaio: "ele morre de medo de altura, não sei como ele tem coragem de fazer isso", eu estava com uma amiga e ela ria muito das suas pernas tremendo enquanto você subia a escada, eu acompanhava cada passo seu, como você eu também morria de medo de altura e essa foi a nossa primeira coisa parecida (mesmo eu nunca tendo te questionado sobre a veracidade dessa tua fobia).

Quando eu iniciei minhas aulas com você, eu sentia algo que eu não conseguia explicar, então me mantinha afastada e fingia repúdio, tudo caiu por terra na primeira vez que me viu chorando e me abraçou, ali eu já não tinha mais dúvidas sobre o que sentia, mas sabia que teria que guardar pra mim.

Eu sempre senti que tínhamos códigos secretos para a cabeça do outro, você só de me olhar já sabia que eu não estava bem e eu só de pelo olhar já sabia que você também não estava.

Nos últimos anos eu me envolvi com muita gente, mas quando conversava com você, mesmo pelo messenger, eu percebia que ninguém era você e que ninguém iria falar sobre assuntos profundos e entender a minha velha alma como você.

E era tão mais fácil fingir que eu não estava sentindo era mais fácil do que arriscar, eu tinha medo que você se afastasse ou que me tratasse com frieza.

Eu achei que quando eu olhasse nos seus olhos eu fosse pensar duas vezes e seguir meu caminho e fingir que nada havia acontecido (eu sou mestra em fazer isso), sem declarações ou noites sem dormir.

Com certeza não foi isso.

Quando eu olhei pra você eu vi um homem, o homem que eu nutro sentimentos tão doces que deixaria a Fini no chinelo, um homem que está pegando cada pedaço seu que caiu no caminho e está se reerguendo de novo, o homem que eu ponho a foto de papel de parede porque quando eu quero desistir (dura 2 segundos) eu lembro que ele vale a pena e que cada átomo do meu corpo pede por ele e que a minha boca pronuncia o nome dele até dormindo há 7 anos.

Eu não posso garantir que eu vou ser seu bote salva vidas, ou que vou te fazer feliz  todos os dias, eu só prometo que eu vou te esperar ate que você se sinta seguro e bem pra me dar mão, mesmo que nós não sejamos.

Você vai viver para sempre em mim.

PS: eu acho que um encontro no próximo final de semana seria interessante...







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